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A solidez da relevância
Não me esquecerei que a morte é sólida, nem que a vida é líquida e certa. Lembrarei que lágrimas são salgadas e sólidas, mas os sorrisos são líquidos: deixam brisa amena e lembranças de sabonete Dove. Nuvens são sonhos e como todo sonho que se preze: sólido; montanhas são liquidas: escorrem sob o olhar. Amizade é sólido, vale, quando pesa. O amor, ah! o amor é liquido, escoa pelo ralo. Paixão é uma coisa talvez liquórica: meio sólido meio líquido, em estado ‘gozoso’. Todo homem é sólido perante a liquidez feminina. Sólido é o jazz que toca enquanto meus pensamentos marejam líquido. Os cremes são líquidos, o castigo é sólido. A poesia é sólida, por si só fala; o poeta é liquido-mole, tanto bate até que fura pedra dura. A semana é líquida e corre solta, domingos são sólidos e pachorrentos . A memória é liquida e preguiçosa, não carrega sólidos; enquanto a alma é liquida porque levita, o meu olhar é liquido e inaugural: amolece e garoa. Felizmente todo sólido é liquido porque tudo que é sólido se desmancha no ar, donde se prevê que nada tem relevância, tudo é liquido e vai pro brejo.
Escrito por Geórgia às 19h59
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