
Feito um gesto de adeus
mas se na noite você vier me assombrar
e por castigo segurar em suas mãos, meu corpo
dê-me antes, que me perca, a sua boca impiedosa
deixe-me nela afogar apenas dois dedos de mim
- essa inútil poesia que um dia nos faltará
mas se em vida, e de dia, você vier em susto
gravado em pálida saudade
deixe-me antes dizer-te sem rima
os testemunhos que ainda me sobram
- daquela noite há pouco passada
mas se um dia, houver um regresso
a ironia entre o concreto, o abstrato e o nada mais
pise manso, nessa madrugada que me ronda
e arde essa pele - essa lembrança - essa cama
- e deixe-me assim, emoldurada em luares de antes
Escrito por Geórgia às 17h41
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