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(Fragmento IX)
Amar com o corpo, o coração, e a cabeça
- Se não fosse a surpresa dos olhos cor de mel ir açucarando até virar castanha em ponto de bala, em pleno poder de ebulição, ela talvez estaria imunizada antes de mergulhar fundo naquele tacho fumegante. Mas o corpo tem coisas de momento e queda-se em fogo alto que não se explica, apenas arde. Somos essa extravagância quando o corpo padece e a cabeça não pensa, bombeando o coração.
- Ela chamaria de sofisticado, esse trabalho mais do que delicado, de congelar e engavetar os gritos quando o coração não resiste às tramelas e geme desaguado. Se não fosse o ato, já tão habitual, de reinventar-se, não se reconheceria pulando cem metros rasos tão distraidamente. Que lhe importa se a manhã não é azul-sintonia, ou laranja-por-do-sol, quando a noite é rubra e lhe promete as chaves daquela porta emperrada?
– Se não houvesse o pouso não haveria a pausa. Agora, quando ela desata laço e nó, e lança-se de cabeça, em seu último suspiro, o faz com a certeza de que a morte sempre esteve a espreitar os descuidos esquecidos na soleira, no inicio do verão. Até que o bem-te-vi gorgeie em tempos de antes, a andorinha solfeja o outono avisando que momentos de primavera não perpetuam estações.
: Se não fosse a algibeira transbordante de pedras e cristais, a pesar-lhe o coração mumificado, ela não teria conseguido emergir desse corpo que lhe encaixa tão bem.
Escrito por Geórgia às 20h24
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