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Aortalgia
tão lindo e tão distante...
tão meu e tão ausente...
e nem toda essa simulação esconde a justa medida de que fomos feitos sob encaixe perfeito daquilo que não se precisa ver para ver: tão perto e tão meu...
eu ainda choro por nós quando finjo que nada mais ficou, a não ser o caminho curto da boca do cano ao barulho da culatra. mas se uma história é entalhada em cabriúna, o mais provável é que nada mais seja estático ao apuro da visão de quem enxerga além das montanhas e dos horizontes marinhos. os meus mais, hoje deficitários, ainda gritam pelos seus ais, quando penso nessa aberração da natureza que é não estar junto dele. ele finge tão bem quando faz carnaval com as nossas cinzas que eu quase acredito que a vida termina na quarta-feira, enquanto minhas lágrimas descem ladeira abaixo. ele é um homem que sabe amar, um homem que sabe brincar com cada pêlo do meu braço e me faz cerrar os olhos na hora certa, quando me inicia com palavras que pulsam red agitando meu fluxo sanguíneo. ele é um homem que sabe ir embora quando oxida às cinco da tarde e me escoa em gosto amargo, blue-marine, aorta a fora.
Escrito por Geórgia às 23h49
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Design
como me angustia
esse projeto
de interior
precário
depois que a vida
saiu
sem explicações
e
sem mandar flores
Escrito por Geórgia às 10h41
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