
De Conceitualismo, Impressionismo,
Arte-fícios e Amor Viciado
deu pra chegar tão tarde
com a boca amarga de cerveja
e olhos marmorizados de desejo
que faz de mim escultura sem título
quando me adormece tão cedo
com a boca aguada de vontade
deu pra falar com jeito
ajeitando pigmentos vencidos
deslizando vontades têmperas
na abstração dos nossos prazos
em contraste com a noite que vem
deu pra fazer de mim
o começo da morte enrustida
o meio da obra impassível
quando até por fim pugna
a liberdade da própria existência
avalizada em lágrimas artísticas
até tudo recomeçar outra vez
Escrito por Geórgia às 10h32
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(Reprise - Aquarela de mim)

Todas as loucuras do mundo é no corpo da Arte que pode acontecer.
Na impossibilidade da cor, eu quero ficar azul; para ficar odara. Azul, em todos os matizes: azul da Prússia, azul do mar da Grécia, lápis-lazúli, azul de Turnbull, azul de Bremen, azul intenso, e até o azul-limão para azedar. Vou me pintar em aquarela, fazer uso da perfeita técnica da têmpera e me tornar insolúvel, pra te encantar, te encantar...... Usarei pigmentos de Lautrec, moídos a mão, que ficarão em camadas por baixo, um dos outros, na sucessão de camadas da minh’alma. Depois ficarei exposta no varal para me secar. O vermelho de cádmio, que foi de Renoir, usarei para colorir minha boca. Nos olhos, o negro de marte. No ar, uma cara de mulher. Sujarei meus dedos com azinhavre e tendo o prazer nas mãos, imitarei o sorriso de Monalisa para te confundir. Pedirei emprestado o romantismo de Goya, amanhã faço devolução. Farei uma mistura de glazer para perfumar meu caminhar, com cheiro de terebentina e madeira de lei. Com tantas técnicas tradicionais me manterei flexível e, das fórmulas balanceadas manterei o equilíbrio da solubilidade, para nunca mais me craquelar! Desnudada em telas de Tapier e parceria de Caravaggio me colocarei hora sim dourada, hora não, barroca: (não se vai a um grande acontecimento, sem antes se preparar). Farei de mim um grande mural . - não me caberei em cavaletes. Ainda que não seja amiga do Rei realizarei a minha individual. Vou me resguardar do impressionismo de Monet e amanhã de manhã serei irônica, contemporânea, conceitual e processual - e te provocarei mudanças, seja no olhar, seja na percepção. Volpi olhará por mim, sorrindo, dirá amém. Amanhã à tarde serei surrealista, porque afinal estamos no século XXI e é hora de Alice acordar.
... nesse momento haverá uma sintonia, uma ligação, uma reversibilidade entre a artista e o pincel.
Só falta dar verniz de retoque e não esquecer de assinar, para garantir a autenticidade.
obs) cuidado, tinta fresca.
Escrito por Geórgia às 21h53
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