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Não sei se é fita ou se é fato. O fato é que o vento faz fita.
Não, não quero o desencontro do seu espelho quebrado, nem vou aliviar meu peso de pedra ou diminuir a sombra que pichamos em nós dois. ‘Um homem com uma dor, ainda que caminhe assim de lado’ sabe que a plenitude é o exato momento quando reconhece que a vida está estalando. A panela de pressão cozinhando os riscos que se foram traçando no borbulhar do compasso, enquanto se põe a mesa. Mas não tenho competência suficiente para controlar esse esplendor, porque tudo depende da naturalidade de quando os ventos cessam e da mingua que aguarda o revezo. Até quando você acha que eu vou ficar trotando em cima de cavalo sem arreio? Nada há sob o meu comando, nada há que eu possa alterar se você não é simpatizante à causa. Se até então a visibilidade que não tivemos, pontuou cabeça e membros porque agora devo concluir que o certo mudou o prumo dessa coisa torta? O errado é morrermos famintos e mal comidos. Se a chave não roda e a porta não abre, não é porque você errou o endereço, mas porque o chão exala cheiro de chuva e meu coração evapora mofo. As vezes eu fico frouxa e não recupero nem uma tênue emoção que exita, tão justa assim, ao largo de um íntimo silencioso, que por si só se diz. Fico oculta, sem recursos, à beira de um caminho esperando passar a senha anestésica, receiosa por contribuir de alguma forma com esse vento de língua ágil que me arrasta para o sul, em mudança de rota. Se eu voltar para bem longe daqui, não levarei lenço, documento, ou o santinho que você jura nos proteger. Ou isto ou aquilo. Transbordante eu, bastaria um segundo. Ou haverá tempo de dizer adeus Madagascar, adeus Parati?
(Zélia Duncan ainda canta Leminski)
Escrito por Geórgia às 22h27
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