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elos de vida
Sou dessas que coleciona sândalos, caixinhas de bens guardados, uma pétala por testemunha, aquele cordão umbilical e sementes de papoulas. Sou mulher de sentar ao pé da escada e contar histórias com finais felizes. Busco grandes amizades debaixo da minha cama que é onde caem os farelos da vida que se viveu sobre a cama. Não tenho um único grande e eterno amor que depois de findo, não tenha deixado rastros e vínculos cheios de adornos, vestidos a caráter, em grande gala: coisa de gente grande. E eu sorrio recolhendo pérolas com as quais faço meu rosário. Não precisei fazer grandes esforços para obter as glórias do amor passado, findo, ou presente, porque sempre amei o amor, polindo-o com boas maneiras para que não perdesse o viço. Hoje, de tão viçoso, o amor apóia o cotovelo sobre a mesa e passa horas a me escutar, e ri comigo, e me oferece algodão doce na intenção de me melar. São pequenos mimos que vou espalhando, em elos de vida, pela casa. É uma casa tão cheia de janelas, portas e cantos que às vezes o amor brinca de esconde-esconde e me assusta por baixo dos lençóis. Eu sorrio e coloco o relógio para despertar porque o amor não pode adormecer , nem tão pouco amadurecer. E assim ficamos tão íntimos e afins, que eu o como de dia, ele me come de noite, até que a morte nos una em outras estações que haverão de vir, porque é de agora, é de sempre e é de antes.
Escrito por Geórgia às 23h43
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Diário de Viagem - I

Pra sempre
meu amor, não interrompa
o cheiro da mirra que se mistura ao sândalo
porque já nem sei
quando mais lhe prometo:
se no silêncio do Mosteiro de São Bento
se nos arrulhos dos nossos lençois
Escrito por Geórgia às 00h03
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