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(VIII – sempre há)
Di-Vino
há uma mesa posta
com dois lugares e duas taças
cada deus com sua sina
cada sina com seu adeus
... enquanto levitam poemas
e seus instintos divinos
Escrito por Geórgia às 19h29
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De cheiros, Alquimias e Saudades
Sinto cheiro de canela quando me lembro dela. Estou convencida de que somente deusas tem o poder de criar aromas tão saudosos. Somente as deusas são essenciais e mesmo depois de nos terem dado adeus, deixam rastros viscerais e perfumados. Canela tem cheiro de saudade dela. Tenho como companheira uma saudade que caminha lento, como o caminhar de uma alma antiga, em passos curtos. A fatalidade é que a saudade não tem pressa e amanhece com cara de mal dormida a me servir pão com arnica. Na hora do almoço é pretensiosa e se serve em pedaços, de modo crocante, estalando peito a dentro. E se remói ao anoitecer deixando um gosto de gengibre e malagueta. Ácida e arrogante, me chama para apostar a vida, colocando as cartas na mesa, enquanto esquenta o chá de maçã. E eu, de um jeito manso e viciado, enfeito a sala com avencas, calêndulas, hortênsias e madressilvas para que a saudade sinta-se em casa.
Escrito por Geórgia às 19h53
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