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Beatitude
nada mais a dizer
a não ser
esse silêncio quieto
do desejo extasiado
que repousa em cada um
com cheiro de amor dobrado
rendido sob o desalinho do lençol
abismado
Escrito por Geórgia às 20h40
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Em ti, moram deuses
no indizível do momento
onde fervem meus cinco sentidos
escuto da boca que me beija
todas as palavras abafadas
dos deuses que moram em ti
Escrito por Geórgia às 20h03
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Five’s tea
Não sei se te ofereço chá de alfazema com agapantos ou chá de boldo. Não sei se morno ou se frio, não sei se engulo ou se cuspo. Não sei se sei. Tem coisas demais que sobram e não deviam, coisas demais que faltam e não deviam. O que me aquece nem sempre me apetece e o que me apetece vem sem bula. Vagarosamente eu corto uma lasca de canela que deixa cheiro nas lembranças que eu guardo secas dentro do missal. Todas as manhãs eu rezo minhas lembranças, quando a noite chega as lembranças pecam. E você sabe, pecados cheiram naftalina - só devem ser guardados no fundo do armário e a sete chaves. Tenho uma vaga idéia de onde perdi a sétima chave e com ela, a musicalidade. O maestro que me perdoe. Ele há de, porque sabe que perdão foi feito para deixar o sabiá cantar solto dentro do coração da gente. E quando o coração canta, o chá amargo adocica em tons de ave-maria. Se apresse, já são seis horas, vem ver o bem que você me faz. ‘Traga-me flor, boca e aroma’.
Escrito por Geórgia às 19h57
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Flash Noturno
amanheci tendo ao lado
o seu corpo junto ao meu
na taça o desejo brut(o)
celebra nossa amplidão
e toda a nossa competência
em amanhecer assim
- tão pouco adormecido
Escrito por Geórgia às 06h28
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